Nesta obra, André Itimura explora a relação entre luz, cor e reflexo a partir de uma paisagem aquática serena e contemplativa. A cena retrata um lago coberto por vitórias-régias, onde a superfície da água se transforma em um campo vibrante de reflexos, pinceladas fragmentadas e variações cromáticas sutis.
A composição conduz o olhar de forma natural: o espelho d’água ocupa grande parte da tela, criando profundidade e ritmo visual, enquanto a vegetação ao fundo e a pequena ponte sugerem presença humana sem interromper o silêncio da paisagem. A pintura convida o observador a desacelerar, a permanecer, a perceber as nuances de cor e movimento que se revelam aos poucos.
A pincelada é solta, visível e expressiva, construída em camadas que valorizam o gesto e a materialidade da tinta a óleo. Tons de verdes, azuis e violetas dialogam com toques quentes de amarelo e rosa, criando vibração e luminosidade sem recorrer ao desenho rígido, a forma nasce da cor e da luz.
Trata-se de uma obra que não busca a reprodução literal da paisagem, mas a experiência sensorial do lugar, o instante suspenso entre observação e emoção. Um convite à contemplação.
